A UNITA acredita em eleições livres mesmo com interferências do MPLA
O Lider da UNITA acredita em eleições livres apesar de interferências do MPLA
Lisboa - O Lider da UNITA que encontra-se de viagem em Portugal Samakuva Ngola, disse acreditar nas eleições livres e justas em Angola, apesar de se queixar de interferências, como o aliciamento de quadros seus pelo MPLA, e da desproporção de meios face ao partido do poder.
Por Paulo Guilherme Figueiredo
Em entrevista à Agência Lusa em Lisboa, o lider do partido do " Galo Negro" anunciou que estão em curso contactos entre a UNITA e vàrias formações politicas tendo em vista criar a União Nacional para a Mudança, para disputar as eleições legislativas de 5 e 6 de Setembro proximo.
"Haverà (entre as formações em negociação) os que acham que isso pode passar pela formação de coligações, outros que preferem acordos pré-eleitorais, outros dizem que podemos ir unidos mas os acordos são feitos depois, a nivel parlamentar", afirmou Samakuva, que se escusou a definir um prazo para concluir as negociações.
Sem identificar as formações politicas envolvidas nos contactos, Samakuva limitou-se a dizer que são "vàrios partidos influentes na cena politica angolana" e "alguns com problemas internos".
"Gostariamos de integrar um movimento que não fosse so de membros da UNITA, mas que pudesse contar também com aqueles que, sendo de outros partidos, queiram juntar-se nesse esforço para mudar o governo actual", afirmou o lider da UNITA, que estarà em Portugal até domingo, tendo previstos encontros na Assembleia da Republica e também no Ministério dos Negocios Estrangeiros.
Samakuva manifesta-se convicto de que as eleições legislativas vão realizar-se mesmo em Setembro, apesar de identificar pressões "dentro do regime" para um adiamento, e também a nivel de "dirigentes locais" do MPLA para desestabilizar o processo.
"Vamos trabalhar para impedir qualquer possibilidade de adiamento. Mesmo se hà vontade de adiar, serà sempre contra os angolanos e terà a oposição da maioria da população", afirmou.
Uma vez concluido o recenseamento eleitoral, é ainda necessàrio proceder à certificação dos cadernos eleitorais e à publicação dos mesmos em Diàrio da Republica, além da montagem da logistica em torno das assembleias de voto.
Neste contexto, Samakuva apela para o lançamento de um "programa de reconciliação" pelo governo, até porque a clivagem entre os dois partidos é ainda muito forte, seis anos depois do fim de quase três décadas de guerra civil, e este "combustivel" pode incendiar o processo.
"Hà interesses partidàrios que muitas vezes procuram criar problemas (...) mas estou convencido que esses apelos para perturbar o processo estão condenados, pagarão por isso politicamente, a condenação serà expressa nas urnas", disse à Lusa, escusando-se a "lançar acusações" sobre quem são os autores dos ataques contra militantes e meios dos dois partidos, sobretudo no interior do pais.
Para Samakuva, o caso das recentes detenções de jornalistas e do encerramento do escritorio das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Luanda são sinais de "endurecimento" do poder politico angolano, que podem traduzir uma mudança de postura do regime, ou apenas de algumas pessoas que procuram projecção.
"Identifico algumas pessoas (protagonistas do endurecimentos), mas é dificil chegar a conclusões quando não sabemos se são actores (de uma estratégia do regime) ou se é de sua livre iniciativa. Não interessa adiantar nomes. Não é do interesse dos angolanos", respondeu.
Samakuva reconhece que os meios, nomeadamente financeiros, de que dispõe para as eleições são muito reduzidos em comparação com os do MPLA, e queixa-se de que continua a haver tentativas de aliciar alguns quadros do partido do "Galo Negro".
"O dinheiro conta, mas não é o que decide. A vontade politica e sobretudo a projecção de uma mensagem que và ao encontro da maioria da população é o que vai contar. Os angolanos estão maduros. Sabem que o dinheiro que vai aparecer aqui e acolà, em meios que jà estão a ser distribuidos, vai desaparecer e depois das eleições volta tudo à estaca zero. Isso não nos preocupa", declarou.
Sem querer referir-se a casos concretos, adiantou que "continua a haver e vai continuar a haver" aliciamento a membros da UNITA, nomeadamente através da oferta de empregos pùblicos, e mesmo a pessoas que se mantêm no partido fazendo um discurso de apoio às politicas do regime.
"A natureza do MPLA muitas vezes vai no sentido de fazer politica procurando captar simpatia de membros de outros partidos. (...) Essas interferências existem muitas vezes. São sempre dificeis de provar, mas são visiveis. Não faz sentido que alguém do partido assuma constantemente posições difrentes. (...) Estou a pensar em vàrios casos que jà vi", afirmou.
"Vamos esperar que isto continue a acontecer. Mas nem todos estão permissivos. A maioria não aceita ser tratada como uma mercadoria que se compra e se vende", prosseguiu.
Samakuva disse que acredita na vitoria em Setembro, e a visita a Portugal destina-se a passar junto dos agentes politicos e economicos losos a mensagem de que, em qualquer cenàrio, a estabilidade politica angolana està garantida.
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