Cabinda nas listas do MPLA e U
Cabinda nas listas do MPLA e UNITA
Luanda - A inclusão de Raul Danda e Alexandre Sambo nas lista de candidatos a deputados da UNITA para as eleições legislativas de 5 de Setembro, levou o MPLA a aplicar-se a convencer Miguel Nzau Puna a integrar as suas próprias listas, ao que o mesmo terá anuído.
Raul Danda e Alexandre Sambo, que figurarão como independentes, são dois renomados activistas da chamada “causa autonomista” de Cabinda. Miguel Nzau Puna, embaixador em Otava, é originiário de uma ilustre família de Cabinda e apresenta a vantagem de ser geralmente visto como crítico da política de Luanda para o território, incluindo o chamado Memorando de Entendimento negociado com Bento Bembe e cujo balanço é negativo.
Informações devidamente verificadas indicam que as duas grandes preocupações eleitorais do MPLA são Luanda e Cabinda. No caso concreto de Cabinda as preocupações avolumaram-se por reflexo de um compromisso que figuras da sociedade civil local, ligadas ao extinto movimento Mpalabamba, concluiram com a UNITA.
É nos termos desse compromisso que Artur Danda e Alexandre Sambo se apresentam nas listas da UNITA; esta, por sua vez, compromete-se a pôr em marcha, na próxima legislatura, iniciativas tendentes à futura atribuição a Cabinda de um estatuto autonómico. O entendimento ficou delineado por ocasião de uma deslocação recente a Cabinda do presidente da UNITA, Isaías Samakuva, ao qual foi prestada uma recepção popular de que fizeram parte deferências excepionais à luz da cultura e de tradições locais, como a de ser conduzido numa tipóia ao morro do Tchizu.
O MPLA vê a aproximação entre a sociedade civil de Cabinda e a UNITA como um factor susceptível de alentar o eleitorado do território a votar, naturalmente na UNITA, e não a abster-se, como aparentemente lhe convinha. Dados fiáveis indicavam que cerca de metade da população autóctone não se recenseou e que a tendência para a abstenção entre os recenseados era muito forte.
Entre os cerca de 180.000 recenseados há uma expressiva componente de funcionários do Governo central, ligados ao regime, bem como polícias e militares – cujo voto recairá no MPLA. Nas últimas semanas o governador de Cabinda, Aníbal Rocha, passou a visitar amiúde locais do território em missões consideradas “eleitoralistas” (distribuição de prebendas e dinheiro).
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