Cabinda: Nova onda de prisões de militantes pró-direitos humanos
Cabinda - Mais um activista dos direitos humanos foi preso no enclave angolano de Cabinda. Um funcionário da "Chevron" acusado de "propaganda hostil" ao Estado angolano a favor de militantes dos direitos humanos presos na sequência do ataque à selecção nacional do Togo no passado mês de Janeiro foi detido.
A prisão do activista foi denunciada em declarações à ADP pelo seu advogado Martinho Nombo. "Cumprem-se dez dias que ele foi preso e ainda não foi ouvido pelo Procurador".
António Paca Pemba Panzo é um funcionário da companhia petrolífera do Grupo norte-americano "Chevron" que explora o petróleo nesse conclave angolano encravado entre os dois Congos. Foi detido juntamente com outras quatro pessoas na posse de camisolas em que apareciam estampados os rostos de militantes pró-direitos humanos detidos em Janeiro.
Os quatro indivíduos já foram entretanto soltos pelas autoridades angolanas mas Pemba Panzo, militante de uma associação de defesa dos direitos do homem "M´Palambanda, permanece detido nas prisões angolanas.
O seu advogado ao denunciar a detenção do activista explica que as autoridades angolanas o acusam de estar na posse de relatórios públicos da Organização Human Rights Watch e da Amnistia Internacional sobre Angola.
São conhecidas as posições muito críticas destes dois organismos internacionais em relação ao respeito dos direitos humanos naquele estado de língua oficial portuguesa e os seus relatórios anualmente reproduzem e denunciam situações de desrespeito pelos direitos humanos em Angola. As autoridades angolanas não vêm com bons olhos os indivíduos que no interior do seu território representam, defendem ou sequer promovem os documentos dessas organizações.
No início do mês, um outro funcionário da Chevron, o jurista Félix Sumbo, foi preso no norte da província quando vestia uma das camisolas estampadas mas foi libertado ao fim de 72 horas.
Pelo menos militantes activos e conhecidos dos direitos do homem no enclave de Cabinda foram detidos em Janeiro na sequência do ataque contra o autocarro que transportava a selecção nacional de futebol do TOGO que ia participar na Taça das Nações Africanas de 2010 e reivindicado por separatistas de Cabinda e que estaria na origem da desistência daquela selecção da competição.
O universitário Belchior Lanso, o antigo vigário Raul Tati, o advogado Francisco Luemba, o policia Pedro Benjamin Fuça e o funcionário da Chevron José Zefarino Pauti continuam actualmente nas prisões do estado angolano.
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