Cazenga pode perder 100 salas de aulas no próximo ano lectivo
O encerramento das escolas Angola e Cuba, Sãozinha e do Complexo Escolar do Carango, por motivo de degradação que dura há mais de 20 anos, vai deixar de fora do sistema normal do ensino, no próximo ano lectivo, mais de oito mil alunos do Ensino Primário, do Primeiro Ciclo e do Ensino Médio.
Tudo isto pode acontecer numa altura em que faltam pouco menos de cinco anos para se atingir a meta que prevê educação para todos até 2015, a contar para os objectivos do Milénio.
O Instituto Normal de Educação (INE), vocacionado para a formação de professores, também conhecido por António Jacinto, a escola do I° Ciclo Angola e Cuba e a escola 7033, também conhecida por colégio Sãozinha, poderão ver as suas portas fechadas no ano lectivo 2010/2011, devido ao mau estado em que se encontram, como nos adiantou a chefe de repartição da educação, Isabel Cango.
«Algumas escolas já se encontram fechadas e outras não. Estamos à espera da autorização do Governo Provincial, a quem dirigimos a solicitação. As estruturas estão degradadas com o tempo, por isso, vamos fechá-las para que possam beneficiar de reparação», sublinhou.
O A Capital, apurou que o Instituto Normal de Educação, António Jacinto, ascendeu à categoria de Instituto desde em 1996, comportando, actualmente, 16 salas e lecciona três turnos. A responsável admitiu ainda que, tão logo tenha uma resposta sobre o encerramento ou não das referidas escolas, os encarregados e a sociedade, no geral, tomaram conhecimento através dos meios de comunicação social sobre o veredicto final.
«Vamos passar um comunicado a informar o encerramento ou não das escolas», assegurou, João Domingos, estudante da 12ª classe no turno da tarde, disse à nossa reportagem que já ouviu falar sobre o assunto, mas não de fontes oficiais. «Gostaria de obter, o mais breve possível, uma resposta certa sobre a questão», manifestou.
Por seu turno, Jojó, estudante da quarta classe na escola primária do Complexo, disse desconhecer a história. «Aqui próximo não vemos a construírem uma escola. Para onde é que nos vão transferir, se vivemos a 300 metros de cá?», interrogou-se.
Jacinto André, do colégio Sãozinha, testemunha que a escola enche-se de água, quando chove. «Estudo a terceira classe. Quando chove muito, a escola fica inundada e não conseguimos entrar. Ficamos em casa até que á água seque. As carteiras não chegam para todos e, muitas vezes, há brigas entre colegas para as ocupar.»
Alguns estudantes, como Juelma Aguiar, queixam-se da falta de pintura, o que lhe dá um aspecto de abandonada. «A escola parece estar abandonada. Nem sequer lhe dão uma imagem mais bonita que cative mais os estudantes. Se nos transferirem para outra escola, com boas condições, é melhor», concorda.
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