Directores de jornais destacam
Directores de jornais destacam paz parlamentar num país em guerra
Entre falhas e virtudes dos 16 anos da legislatura extraordinária que hoje termina em Angola, dois jornalistas seniores angolanos coincidem na afirmação de que o Parlamento foi um laboratório para a paz.
Victor Silva, director do Novo Jornal, e José Ribeiro, do Jornal de Angola, pontuam para a Agência Lusa aqueles que foram os bons e os maus momentos da mais longa legislatura do continente africano.
O director do Novo Jornal anota como falha não haver registo de iniciativas legislativas da autoria dos partidos da oposição que tenham sido aprovadas e serem muito escassas as do MPLA, que detém a maioria absoluta.
As votações que tiveram lugar neste 16 anos, recordou Victor Silva, foram "todas ou quase todas, para o caso de a memória falhar, por milímetros, de iniciativa do Governo".
Victor Silva recorda que em todo este tempo, a sociedade angolana foi construindo a ideia de que os seus deputados "apenas tinham conseguido o melhor emprego do mundo", devido às "muitas regalias" porque a esmagadora maioria "nunca se manifestou em momento algum, excepto para a árdua tarefa de levantar o braço".
No entanto, o jornalista sublinha como virtude o parlamento ter sido importante para, "no tempo da guerra, manter nas pessoas a imagem de que era possível os angolanos viverem juntos na diferença".
O jornalista refere-se aos eleitos da UNITA e do MPLA, que nas bancadas da Assembleia Nacional trocavam argumentos políticos enquanto, no país, as suas forças armadas, até 2002, trocavam tiros.
"Também marcante e um exemplo foi o facto de o próprio parlamento ter sobrevivido à guerra", aponta Victor Silva, que considera a incapacidade demonstrada para a elaboração de uma nova Constituição como a mais "marcante falha".
Embora assinale que a assembleia teve um papel relevante no processo que conduziu ás eleições legislativas marcadas para o próximo 05 de Setembro, nem que seja "só pelo facto de existir" e, por isso, "ajudar a esbater alguma da animosidade entre a UNITA e o MPLA".
Já José Ribeiro, director do diário estatal Jornal de Angola, defende, em declarações à Lusa, que os deputados assumiram a responsabilidade durante 16 anos do exercício de "desenvolvimento do regime democrático" numa altura em que a autoridade do Estado estava em causa "devido a largas parcelas do território estarem ocupadas por um exército ilegal", referindo-se aos militares da UNITA.
"Durante esse período - entre 1992 e 2002, ano em que é restabelecida a paz - o Parlamento ajudou a reforçar a democracia e foi feita uma importante produção legislativa", afirmou o jornalista.
Ribeiro entende ainda que os deputados "merecem o reconhecimento de todos aqueles que partilham dos princípios democráticos que regem a sociedade angolana".
Para o director do JA, houve vários momentos marcantes na longa legislatura de 16 anos, como o período em que os deputados da UNITA regressaram ao Parlamento - em 1998, com a formação do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional(GURN) - e várias leis importantes foram aprovadas"
"Dou como exemplo a da amnistia para os guerrilheiros e todo o pacote legislativo que suporta o processo eleitoral que culmina agora com as eleições de Setembro", disse.
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