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Exoneração de Raul Tati reflecte fracasso da reconciliação da Igreja em Cabinda
Ao lugar de aprofundar a reconciliação o bispo de Cabinda fez da carta à Ivan Dias um pretesto?
Ao ter feito publicar o comunicado sobre a suspensão decretada ao padre Raul Tati, até então afecto a comunidade de Cristo Mbonde fica por desvendar-se as razões que determinaram o fracasso do processo de reconciliação, iniciativa sugerida e trilhada longos dois anos. Será da irascibilidade das partes?... Quando na igreja Cristã de que a católica através dos seus incansáveis fieis é um dos verbos principais!
O decreto episcopal ordenando a suspensão data de 19 do corrente mês, faz hoje oito dias. O precipitar do comunicado da diocese de Cabinda deu-se mais ou menos na quarta-feira desta semana quando alguns canais de comunicação mas este em especial noticiaram a então “ secreta decisão”.
De facto, um lacónico comunicado da diocese de Cabinda assinado por D. Filomeno Vieira Dias limitava-se a confirmar a suspensão. Sem dizer quando foi que deu entrada, o tal pedido submetido que despoletou este processo, uma nota, informava a aceitação da demissão “... devendo por conseguinte o Padre suspender de hora em diante o exercício do poder da ordem sacerdotal e livre das obrigações e direitos inerentes ao mesmo, incluindo a obrigação de residência canónica” fim de citação.
Já o P. Raul Tati em carta que endereçou aos colegas e familiares nesta quinta-feira 24, é mais detalhado no historial que faz as razões que o levar a pôr algumas condições ao seu regresso: a reconciliação.
Contextualiza a 2007, altura em que lhe foi levantada a suspensão anteriormente imposta, juntamente com seis outros colegas.
Na carta a que tivemos acesso, o prelado fala das sugestões que fez e das iniciativas encetadas para que a reconciliação fosse bem sucedida no seio da família diocesana. “Durante estes últimos dois anos o Bispo e eu dialogámos várias vezes sobre a minha situação e fui sempre claro em manifestar a minha inconformidade com o arrastar da situação da diocese sem qualquer horizonte de normalização” adianta.
Nas fracturantes condições de vida da diocese, sem a reconciliação que desejava, manifestou a sua recusa para a retomada imediata do ministério como se lhe estava a exigir, e exprimiu a sua determinação em abandonar o sacerdócio caso persistisse a situação, o que reportou a Ivan Dias, Cardeal Prefeito para a Congregação dos Povos, sem nunca obter reposta da Santa Sé.
Talvez o silêncio desta última pudesse ser interpretado no sentido do encorajar daqueles que se esforçavam pelo reencontro, o que não foi alcançado pelos católicos em Cabinda.
“As coisas precipitaram-se nos últimos tempos quando o Bispo me comunica que o tempo estava expirado e que a Igreja já não podia esperar mais. Fez-me então saber por escrito que tinha decidido começar o processo da minha exoneração das obrigações da ordem. Diante dessa pressão, limitei-me a encorajá-lo a fazer o que tinha para fazer” escreve na carta que endereçou aos seus, o P. Raul Tati1.
A Neto
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