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FRAUDE EM FORJA COM A VOTAÇÃO

FRAUDE EM FORJA COM A VOTAÇÃO

EM DOIS DIAS, PROTESTA A UNITA

A oposição da UNITA ao projecto de legalizar a votação em dois dias, sobe de veemência, agitando até o espectro de o rival MPLA plagiar o regime de Robert Mugabe do Zimbabwe no país.

Esta posição vem acentuada no comunicado de imprensa recebido hoje por Apostolado, dimanado da reunião extraordinária do Comité Permanente da Comissão Política dos maninhos, realizado ontem em Luanda.

Segundo o documento, «o regime já não confia apenas na manipulação da imprensa, na distribuição de bens para compra de votos e nas alterações que já fez, à última hora, à legislação eleitoral. Agora, quer ter também a custódia dos votos, depois de expressos e antes do apuramento.»

«Somente a realização da votação em dois dias permitirá tal custódia para, durante a longa noite do dia 5, cortar a luz e as comunicações em zonas sensíveis, introduzir votos e assembleias de voto fantasmas, desviar cadernos eleitorais e substituir actas ou urnas», acrescenta o comunicado.

Pois, argumenta, «Angola, tal como o Zimbabwe, possui um déficit democrático elevado, pratica a corrupção a todos os níveis do Estado e adquiriu perícia e experiência em subverter as instituições do Estado para violar os direitos fundamentais dos cidadãos, delapidar o erário público e manipular as regras eleitorais. Os eleitores angolanos não confiam no Governo para garantir a integridade dos seus votos. Eles sabem que quem rouba dinheiro do povo, também rouba o voto do povo».


A seu ver, a Comissão Nacional Eleitoral «distorce o sentido da recomendação do Conselho da República por inseri-lo no quadro da “continuidade das operações eleitorais”, prevista no artigo 120º da Lei eleitoral, quando os conselheiros do Presidente da República solicitaram o estudo no quadro do Artigo 121º que dispõe sobre as “causas da não realização da votação.”»

«A UNITA considera que qualquer alteração à lei eleitoral depois de convocadas as eleições e aprovados os planos para a sua realização constitui um sério atentado à integridade do processo eleitoral e à paz política», remata o comunicado.