Jornalista do Folha8 julgado e
Jornalista do Folha8 julgado em Luanda
Luanda - O jornalista do Folha8, César Silveira, foi condenado no passado dia 07.07.08 pelo juiz Domingos Tchingoma do Tribunal Provincial de Luanda a uma multa de 300kzs/dia durante um ano, mais 50 mil Kzs de taxa de justiça e, por danos morais causados ao ofendido Zeleco do Nascimento, ao pagamento de 150 mil kzs em favor dos herdeiros.
O ofendido, presidente da Assembleia Geral da Associação dos Veteranos de Guerra, foi acusado numa entrevista concedida a César Silveira pela senhora Marcelina Vicente dos Santos de ser membro duma célula da Frente de Libertação Nacional do Enclave de Cabinda (FLEC).
Imediatamente após o final da entrevista (04 de Outubro de 2005), o nosso jornalista telefonou a Zeleco do Nascimento a pedir esclarecimentos sobre este caso, tendo este respondido que o jornalista mentia, pois na sua opinião não podia estar com a referida senhora por esta, acreditava ele, estar a contas com a justiça, provavelmente presa.
Perante a insistência do nosso jornalista, insistindo que a senhora estava de facto com ele, Zeleco respondeu-lhe que não devia ouvi-la, porque ela era uma “bandida”... e pediu-lhe que voltasse a ligar no dia seguinte.
Na manhã seguinte, César Silveira voltou a telefonar para Zeleco, que anunciou estar ausente da sede da Associação, pelo que lhe propôs vir até à redacção do Folha 8, ao que o outro se opôs, argumentando que era o jornalista que precisava de o ouvir por isso deveria ser ele a ir ao seu encontro no Rocha Pinto. Ficou combinado então um encontro para o período da tarde desse dia 04 de Outubro de 2005.
Quando chegou a hora do encontro, depois de César ter telefonado no sentido de se deslocar à sede, Zeleco anunciou uma vez mais que não se encontrava no local nem voltaria tão cedo. E foram estes os contactos que o nosso redactor fez antes da publicação da entrevista, tal como ele declarou ao Tribunal.
À parte isto, logo após a saída à rua da edição do Folha 8 dessa semana, incluindo o artigo de César Silveira sobre esta matéria, este último teve o cuidado de entrar em contacto com Zeleco a fim de dar continuidade ao caso e permitir que fosse ouvida uma versão contraditória da sua parte, tal como manda a lei e a deontologia jornalística.
Para esse efeito foi agendado um encontro para a segunda-feira seguinte, mas Silveira, pela ocasião acompanhado pelo nosso designer Pedro de Oliveira, chegou atrasado ao encontro, e apenas encontrou no local um guarda que, diga-se de passagem, lhe declarou que tinha sido uma boa coisa terem chegado atrasados pois os valentes “Antigos Combatentes” tinham em mente dar-lhe um enxoval de porrada por ter publicado um artigo que lesava sobremaneira a sua imagem.
Conclusão, Zeleco do Nascimento e seus apaniguados organizaram um festival de kizomba e fizeram dançar durante uma semana o nosso redactor para no final alegarem que foram lesados e nem sequer foram ouvidos. Pelo que, alegando terem sido abusados introduziram uma queixa crime contra o César Silveira.
E, apesar de haver testemunhas do contrário, de terem sido feitas declarações que comprovam claramente a realidade da entrevista concedida pela senhora Marcelina Vicente dos Santos; e apesar de ser evidente que em casos destes quem tem que provar a verdade da informação não é o entrevistador, é a entrevistada, o jornalista do Folha 8 foi condenado. Injustamente.
Não se entende, por serem inexplicáveis, as razões que levaram o tribunal a ignorar tanto o depoimento de César Silveira como a confirmação da entrevista feita pela própria entrevistada, assim como a confissão que a dada altura o Kinanga do Nascimento, declarante e representante de Zeleco, já falecido, fez, segundo a qual este último não estava interessado em reagir às solicitações de César por acreditar que a senhora estava presa.
Tudo se passou como se César Silveira não tivesse dito nada, pois apenas foram levados em consideração os depoimentos que o comprometiam.





















