Jornalistas proibidos de criti
Jornalistas proibidos de criticar
os donos do poder em Angola
Fosse num Estado de Direito e o ministro Manuel Rabelais já teria sido demitido. Como é em Angola...
Segundo a VOA-Multipress e o Club-k que citam um jornalista da Rádio Ecclésia-Emissora Católica de Angola, o Ministro para a Comunicação Social, Manuel Rabelais, terá chamado os jornalistas dos órgãos oficiais, do semanário angolano Angolense e daquela emissora católica e indicado que a partir de agora não admitiria críticas ao Governo de Angola, nomeadamente às obras em curso.
Por Eugénio Costa Almeida
À partida, haveria 2 ou 3 partidos satisfeitos com esta medida autocrática, o MPLA, a UNITA e alguns independentes, nomeadamente os que estão próximos de Cabinda.
Mas quem calou – ou de quem nada se ouviu – face à ordem de suspensão uma rádio comercial, a Rádio Despertar, próxima da UNITA, por, na concepção dos dirigentes do MPLA e do senhor Ministro estar a fazer propaganda próxima da UNITA e crítica do Governo e do MPLA é crível que as palavras do senhor Ministro não se referiam ao Governo em geral mas ao MPLA em particular.
Por alguma coisa O MPLA, no dia da última sessão ordinária da actual Legislatura, rejeitou certo tipo de alterações ao Direito de Antena nos órgãos oficiais.
Ou seja, a ser verdadeiras as notícias circulantes, está tudo proibido de dizer mal do MPLA.
E o certo é que enquanto o jornalista da Rádio Ecclésia (estranha-se o silêncio desta emissora e d’ O Apostolado) já disse que não vai cumprir esta instrução, em Benguela, a Rádio Benguela do grupo RNA já terá anunciado a retirada do programa “Roteiro da Manhã”, um espaço em que os cidadãos opinavam sobre as diversas matérias locais, e a Rádio Morena Comercial estará a reestruturar alguns dos seus programas com conteúdos críticos.
Espera-se que isto não seja um mau pronuncio para a campanha eleitoral que se avizinha e uma amostra do que não se quer em Angola; porque se assim for, mal está o sistema político angolano.
Espero que ao senhor Ministro, porque me merece respeito como todos os demais que assumem os erros, mesmo que inocentes, assuma a única solução possível depois desta incrível exigência: se demita.
Caso contrário, nada mais restará ao senhor Presidente Eduardo dos Santos, para manter a equidade exigível a uma sã campanha eleitoral, outra medida que não seja o demitir e alertar ao Conselho Nacional de Comunicação Social que explique aos jornalistas que a ordem foi arbitrária, inaudita e inconveniente, um autêntico ataque à liberdade de imprensa, pelo que devem considerá-la nula!
Vamos aguardar pelas cenas do próximo capítulo nesta pré-campanha eleitoral!
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