Kwangana denuncia casos de tortura nas zonas diamantíferas
O líder da terceira força parlamentar do país, Eduardo Kwangana, visitou, recentemente, as suas bases, na Lunda-Norte, onde tomou contacto com a difícil situação em que vivem os habitantes desta província. Teceu duras críticas ao partido no poder, o MPLA, e denunciou graves violações dos Direitos Humanos por parte de empresas que exploram diamantes na zona Lunda.
O Partido de Renovação Social (PRS), fundado há 19 anos, considera positivo o balanço do seu percurso - segundo o seu presidente, Eduardo Kwangana, que falou ao Angolense, na Lunda-Norte, onde efectuou uma digressão de 14 a 15 do corrente, cujo acto central teve lugar na região do Cuango.
Em cada uma das localidades em que a delegação presidencial andou foi recebida por multidões. Por isso, para Kwangana, o seu partido vai continuar a trabalhar, não apenas na região Lunda, como também nos diversos pontos do país.
Questionado sobre as dificuldades que o partido enfrenta, Eduardo Kwangana lamentou o que chama de "obstáculos colocados pelo regime", mas ressaltou que, apesar dos contratempos, ninguém travou o trabalho do PRS.
Acompanhado pela imprensa e por altos dirigentes do seu partido, nomeadamente o Secretário Nacional adjunto para os Assuntos Políticos, Joaquim Nafoia, o deputado pelo círculo provincial da Lunda-Norte, Raul de Barcelos, e a responsável Nacional da organização feminina daquela formação partidária, Kwangana chegou sábado a Cafunfo, primeira etapa da sua visita, onde foi recebido com entusiasmo, por uma multidão de militantes e simpatizantes do seu partido.
No mesmo dia, num comício, aproveitou para agradecer à população da Lunda-Norte pelo voto, que depositou no seu partido, nas últimas eleições. Na ocasião, voltou a acusar a Comissão Nacional Eleitoral de ter roubado votos ao seu partido nas Lundas. Para sustentar a sua acusação, disse que os dados das actas dos votos do PRS na região Cuango foram divergentes dos publicados a nível da província e dos escrutinados no Centro de Convenções do Talatona, tendo realçado que o partido tem em arquivo estas actas.
No comício, destacou a preparação da Constituição, apelando os seus militantes a defenderem o federalismo como forma de Estado para Angola, falou do conflito tribal existente entre os Mbangalas e os Tchokwe, atribuindo a culpa ao MPLA, que, segundo ele, está aplicar a teoria de dividir para melhor reinar, para além de dirigir muitas outras críticas ao MPLA, que, na visão do líder do PRS, pouco ou nada faz para a região das Lundas no que toca à resolução dos problemas sociais.
Kwangana centrou o seu discurso nas questões sociais, tendo lamentado que após anos de independência, os angolanos continuam a ser proibidos de trabalhar nas suas próprias lavras, por empresas que exploram diamantes, como são os casos do Projecto Luzamba e Sociedade de Desenvolvimento Mineiro de Angola (SDM) - acusadas de actos de tortura e até de assassinatos na região. Numa alocução invulgar, na ocasião, Eduardo Kwangana mostrou fotos de pessoas fuziladas supostamente por seguranças de empresas de exploração diamantífera, na região do Cuango.
Sobre os vários problemas apresentados pela população da região do município do Cuango, o Presidente da terceira maior força política em Angola disse que tomou boa nota, ao mesmo tempo que esclareceu que o seu partido não está a governar. Todavia, prometeu apresentá-los às entidades de direito para que olhem para a população "de uma terra onde tiram diamantes e não deixam nada"
A mesMa mensagem levou às populações do Luzamba, onde esteve dia 15 e no município de Capenda Camulemba onde, igualmente, discursou e reuniu com as autoridades tradicionais, no dia 16, marcando assim a última etapa da sua digressão à Lunda Norte.
Segundo fontes no terreno, os Mwanangana, (como são chamados os sobas, naquela região) foram impedidos pela administração local de participarem dos comícios; entretanto, alguns deles compareceram e temem sofrer represálias. Eduardo Kwangana disse esperar, no entanto, que todos que assistiram os comícios não sejam alvos de perseguições. Aliás, prometeu que vai apresentar o assunto ao Ministério da Administração do Território.
"O Partido de Renovação Social é uma alternativa para o país e está a trabalhar dentro deste espírito", afirmou Eduardo Kwangana, líder do PRS, que acrescentou mais adiante que este partido político pode vir a tornar-se poder em caso de realização de eleições justas e transparentes. Nesta altura, segundo acrescentou, a força política que dirige está a crescer em número de militantes, o que é reforçado pelo ingresso de militantes dos outros partidos, com realce para o MPLA.
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