Leitão “imolado” no interesse
Leitão “imolado” no interesse eleitoral do MPLA
| 27-Jul-2008 | |
Luanda - O reconhecimento formal pelo Tribunal Constitucional (TC) da vulgarmente chamada “pseudo-liderança” do Padepa, corporizada por Silva Cardoso, em detrimento da liderança, esta descrita como legítima, de Carlos Leitão, é objecto de interpretações como as seguintes: - Demonstrou dependência do TC face ao regime do MPLA (conclusão que procurou esbater com o anúncio simultâneo de medidas reveladoras de independência). - Confirmou a insegurança com que o MPLA encara as eleições no círculo de Luanda. A polémica decisão do TC de conferir carácter legal à fictícia liderança de Silva Cardoso, coincidiu no tempo com outras, estas socialmente pacíficas, como o reconhecimento das lideranças da FNLA e PRS, disputadas por facções internas consideradas subrepticiamente animadas pelo MPLA.
O recém-criado TC é constituído por cinco elementos indicados pelo MPLA, um pela UNITA e um dentificado como independente, Onofre Martins dos Santos. O seu presidente, Rui Ferreira, num dos seus primeiros pronunciamentos, deu como válidas as decisões tomada antes da existência do TC, e em seu lugar, pelo Tribunal Supremo (TS). Uma das referidas decisões do TS tinha sido a confirmação da liderança do Padepa na pessoa de Carlos Leitão. A decisão do TS decorreu da apreciação de um litígio envolvendo Carlos Leitão e Silva Cardoso, ambos reclamando a qualidade de presidente do partido e considerando o outro impostor. Verificou-se que Silva Cardoso se fizera eleger presidente numa assembleia de militantes, desprovida de representatividade, convocada para a sede do Padepa; o próprio e seus apaniguados fizeram uso para força para expulsar adeptos de Carlos Leitão (julgado com base em tal acusação Silva Cardoso não foi condenado).
O Padepa é um pequeno partido predominantemente constituído por jovens. Goza de efectiva implantação e popularidade nos bairros de Luanda. Num registo considerado “rebelde” é o partido mais crítico do regime do MPLA – e apresenta a característica de integrar gente de origens sociais diversas, incluindo da elite política. |
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