O QUE OS CIDADÃOS DIZEM SOBRE
O QUE OS CIDADÃOS DIZEM SOBRE AS ELEIÇÕES DE 5 DE SETEMBRO
O terceiro dia da campanha eleitoral foi marcado por uma fraca actividade política, em Luanda. Ainda assim alguns partidos desdobraram-se em trabalho de campo lançando panfletos que apelavam ao voto, ao mesmo tempo que transmitiam as suas mensagens. A população começa a habituar-se ao novo momento político que o país vive. A Voz da América traz nesta edição opiniões de alguns jovens, todos eles nunca tinham votado antes.
João Manuel Bambuca, um jovem de 19 anos, diz que a campanha eleitoral, aberta oficialmente na passada terça-feira, veio mudar a rotina da cidade.
«Vejo carros de partidos políticos de baixo para cima distribuindo panfletos, incentivando os cidadãos para irem às urnas no dia da votação. Acho que esta campanha mudou o dia a dia da cidade e permitiu-me conhecer outros partidos que eu não conhecia. Sou muito jovem, não tive a oportunidade de participar nas eleições de 1992 e é a primeira vez que acompanho de perto um processo desta natureza. Acho que as eleições vão mudar alguma coisa no país. Agora, o que me preocupa, vejo apenas dois partidos, o MPLA e a UNITA, a realizarem actividades de vulto, os demais limitam-se em pequenas actividades, não sei por que razão».
Está preparado para votar?
«Claro que estou preparado para votar, estou bastante motivado. Sei que em 1992 realizaram-se as primeiras eleições em Angola, mas como já o disse, sou muito jovem e não tive oportunidade de votar. Sei que depois dessas eleições houve conflito, mas acredito que desta vez já não acontecerá. O machado da guerra parece estar definitivamente enterrado. Não acho que os angolanos estejam dispostos para uma nova guerra».
Domingas Antónia, doméstica, espera que nesta fase eleitoral os políticos não façam promessas falsas, sob pena de caírem no ridículo.
«Espero que este evento seja um exemplo para a África, pois acho que os organismos envolvidos na preparação das eleições estejam a fazer tudo para que isto aconteça. Espero que as eleições tragam uma mudança significativa na vida das populações, que o país continue a crescer e haja mais emprego, escolas, saúda e habitação. Sabe-se que entre as palavras e as acções há sempre alguma distância, mas espero que os políticos cumpram minimamente as promessas que estão a fazer na campanha eleitoral, tenham um pouco de honestidade.»
Nilson Londa tem vinte anos. Afirma que as eleições não trarão nada de novo, mas acredita que constitui um marco importante, uma vez que o país vai entrar numa fase de realização periódica de eleições.
«As eleições não vão mudar totalmente a vida dos angolanos, mas acredito que daqui para frente nada mais será como antes, já que o país vai entrar numa fase de realização periódica de eleições e espero que no dia 5 de Setembro toda a população vote. Nesta fase do campeonato, normalmente os políticos intensificam a propaganda, mas acho que não devem fazer promessas falsas, devem fazer promessas que minimamente seja cumpridas, porque qualquer cidadão, por mais estúpido que seja, tem capacidade de analisar as coisas, sabe quando é que está a ser enganado ou não. Os políticos devem saber dosear a mensagem, as promessas que estão a fazer.»
Nestas eleições vão participar mais de oito milhões de eleitores e estarão preparadas mais de doze mil assembleias de voto.
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