WELCOME TO THE SITE OF THE MOVIMENTO PARA A PAZ E  A DEMOCRACIA EM ANGOLA 

Orgãos de controlo das contas pùblicas são excessiva

Orgãos de controlo das contas pùblicas são excessivamente politizados

Luanda - Os orgãos de fiscalização e controlo das contas pùblicas são demasiadamente politizados em Angola, dai a gritante falta de transparência e rigor na execução dos orçamentos, diz o deputado Alcides Sakala chamado a abrir ontem a Conferência Internacional sobre Sistemas de Fiscalização do Orçamento Geral do Estado (OGE), uma promoção das Fundações Fredrich Ebert, Open Society e do Observatorio Politico e Social de Angola.

A conferência pretende saber de que modo os parlamentares e a sociedade civil podem fiscalizar e monitorar a execução do OGE, que sistemas e mecanismos legais existem para a sua fiscalização e monitoria.

O deputado à Assembleia Nacional pela UNITA, Alcides Sakala, defende a abertura de debates sobre o assunto jà, de formas a se corrigirem hoje erros que pesam sobremaneira nos ombros dos mais pobres e prevenir futuros governos. "De facto a ausência de transparência é um mal que enferma a maior parte das sociedades e dos Estados africanos. Hà um défice muito grande nessa àrea como podemos verificar no caso angolano onde  é gritante a falta de rigor na execução e fiscalização das despesas pùblicas. Os proprios orgãos de controlo e fiscalização criados para o efeito são muitas vezes demasiado partidarizados, ao nivés de se pautarem pela adopção de politicas estratégicas de transparência, de rigor, encombrem por motivos politicos a sua verdadeira acção.

E assim imperioso começarmos a discutir em Angola e com a devida profundidade em parceria com a sociedade civil e com as instituições do Estado esta problemàtica, para se dar inicio a um debate nacional mais amplo no seio da sociedade para que os futuros governos possam prestar melhor desmpenho na gestão do dinheiro pùblico sob o olhar atento da sociedade civil".

A comissão Justiça e Paz da Igreja Catolica convidada ao evento passou aos presentes as suas teses e pontos de vista sobre a divisão desigual das riquezas, a falta de transparência e o mal que tal pràtica produz aos diferentes grupos da sociedade.

O padre Belmiro Tchissenguete dizia que querendo ajudar a identificar o caminho mais viàvel para o nosso pais, a Igreja oferece a consideração de todos nos os principios da sua doutrina social sobre a destinação universal dos bens, a opção preferencial pelos pobres, o bem comum, a participação e a solidariedade. 

A Igreja Catolica defende a monitoria social, uma forma de poupar dinheiro ao Estado, combatendo os desvios, a corrupção e o tràfico de influência no presente, sem esquecer as gerações vindouras, não se dando com caridade aquilo que é devido a titulo de justiça, avançou o padre Belmiro Tchessenguete.

"Em Angola vivemos com cada vez maior intensidade o paradoxo da abundância dado que a quantidade e qualidade de riquezas naturais que possuimos e os altos rendimentos que advêm da sua exploração não tem reflexo na vida do dia-a-dia das pessoas onde muitos compatriotas penam com menos de um dolar por dia enquanto poucos vivem na mais de escandalosa opulência.

Dai sentimos a necessidade de adequação do OGE aos direitos humanos e ambientais pois ofende aos ouvidos do padre ouvir a cada passo novas descobertas de petroleo e diamantes e aumento dos respectivos preços quando o seu dia-a-dia é de quase mendicidade. O OGE tem de ter em conta em primeiro lugar o homem, o meio em que vive, e o depois. A fiscalização do OGE é também uma ajuda na promoção do bem comum e da paz social, na promoção da transparência e da boa governação.

A justiça economica e a paz social so se alcançam seguindo o principio do bem comum, este trata, segundo a Igreja, do conjunto daquelas condições de vida social que permite aos grupos e a cada um dos seus membros a atingir de maneira mais completa e desembaraçadamente a propria profissão. O alcance do bem comum deve obrigar os decisores politico-financeiros a entabularem diàlogo com as comunidades na busca de prioridades para o seu desenvolvimento.

A Igreja Catolica convida o cultivo de uma visão de economia inspirada em valores morais, que permitem nunca perder de vista nem a origem, nem a finalidade de tais bens, de modo a realizar um mundo equitativo e solidàrio, em que a formação de riquezas possa assumir uma função positiva. Um mundo mais humano e inclusivo, onde o progresso de uns, não seja um obstàculo ao desenvolvimento de outros, nem um pretexto para a sua sujeição.

A Conferência Internacional sobre Sistemas de Fiscalização do Orçamento Geral do Estado decorreu até quarta-feira e vai percorrer os passos da preparação do OGE e seus principais, a politica orçamental do Governo angolano, o OGE e os direitos humanos, o quadro juridico-legal de transparência do OGE em Angola, a fiscalização do OGE pela Assembleia Nacional e a função do Tribunal de Contas na fiscalização da execução do OGE.