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Os negocios da empresa Portuguesa mais em Angola

Os negocios da empresa portuguesa mais angolana

A Escom prepara-se para colher frutos de 15 anos em Angola. Diamantes e a maior torre da capital ajudarão a multiplicar os lucros por dez. Um artigo do Diàrio Economico.

Quem parte de Luanda e viaja 1300 quilometros para o interior, numa aventura que demora cinco dias por uma estrada acidentada - e pode levar semanas na época de chuvas - chega ao Luo. Não sequer uma aldeia. Apenas um aglomerado de casas toscas no extremo nordeste de Angola, provincia de Lunda Norte.

Ao longo da estrada, mulheres palmilham o caminho entre nada e coisa nenhuma, crianças às costas, enormes cargas à cabeça. Os homens reùnem-se conversando em pequenos grupos, protegidos do calor pela sombra dos casebres.

Nestes confins africanos, uma empresa portuguesa espera retirar, ao longo dos proximos 30 anos, cerca de 18 mil milhões de dolares em receitas. A empresa é a Escom, que o grupo Espirito Santo (GES) estabeleceu em 1993 para reatar uma presença de mais de 100 anos em Angola. O segredo deste tesouro:90 milhões de quilates que a mina de diamantes do Luo deverà produzir ao longo do prazo de concessão.

"Esta mina, tanto para nos como para Angola, é literalmente uma joia da coroa", diz Hélder Bataglia, um veterano do continente africano que o GES conveceu a formar a empresa, e detém, a titulo individual, um terço do capital.

A presença da Escom neste desterro mostra a facilidade com que se mexe em Angola, e daqui para os paises vizinhos. Ontem, entregou um aeroporto internacional ao Governo do Congo, na cidade de Ollombo, numa cerimonia com 700 convidados - o presidente Sassou Nguesso à cabeça. E nos dotes diplomàticos de Hélder Bataglia que o grupo alicerça a sua presença na região. E é na paz e na explosão economica de Angola que a empresa alimenta os planos de crescimento. No ano passado facturou 136 milhões de dolares. Em três a quatro anos espera facturar 400 milhões. Os lucros deverão multiplicar-se por 10, atingindo os 70 milhões.

Além desta mina, a Escom dispõe ainda de outras 14 concessões de diamantes em parceria com os austrialianos da BHP Billinton, a maior empresa mineira do planeta. Se der com um novo Luo, terà que rever em muito as previsões de crescimento das receitas.

Nos céus de Luanda

O segundo filão de crescimento do grupo é o sector imobiliàrio, onde tem projectos em carteira que vão desde um condominio no Soyo a projectos de reabilitação urbana no Lobito e em Benguela, a terra natal de Hélder Bataglia. No imobiliàrio, o investimento mais emblemàtico é a sede do grupo em Luanda, uma torre de 150 metros de altura que o torna no edificio mais alto da capital.

Nos pisos superiores, quatro andares são de habitação de luxo, com àreas entre os 220 e os 440 metros quadrados. Ainda mais perto do céu, duas "penthouse" avaliadas em 3 milhões de euros cada. Jà têm dono. O grupo comprou os terrenos adjacentes, na avenida Marechal Tito, onde vai erguer outros três edificios destinados à habitação.

As outras três em que o grupo pretende reforçar a aposta, e que hoje contam pouco no leque de negocios, são as concessões, o sector energético, um dos que mais deverà crescer nos proximos anos, e a distribuição alimentar negocio em que està prestes a concluir uma parceira com um dos maiores operadores franceses.

A estes negocios juntam-se o "trading", que esteve na origem da Escom, as pescas e a aviação civil, através da Air Gemini, essencial na logistica do grupo, que planeta reforçar a sua frota de cinco para sete aviões.

Outras empresas portuguesas estão presentes em Angola e em força, com destaque para as construtoras, como Teixeira Duarte e a Mota Engil, que nunca de là sairam, ou os principios bancos. Vàrias facturam mais do que a Escom. Mas nenhuma dispõe de uma posição tão transversal a toda a economia do pais. "Até agora atravessamos uma fase de grandes investimentos", explica Hélder Bataglia. "Agora vamos entrar na fase em que podemos começar a colher os frutos".

Hélder Bataglia, Presidente Escom

Nasceu hà 60 anos em Benguela e começou os estudos numa escola em que era o ùnico branco. Durante o serviço militar em Cabinda, onde se especializou em acção psicologica - convencer o inimigo a mudar de campo - era também o ùnico branco num batalhão negro. Nunca se sentiu incomodado. Nunca deixou de se sentir africano e passa 20 dias por mês em Luanda. 

Quando Ricardo Salgado o desafiou para dirigir o projecto Escom, sentiu-se tentado pelo regresso às origens. As suas raizes e percurso fizeram comq ue se sentisse como peixe na àgua entre dirigentes africanos, muitos dos quais tem hoje como amigos. A sua vida dava, certamente, um empolgante livro sobre os bastidores do poder africano - mesmo que muitas das conversas não possam ser contadas. Està a pensar escrevê-lo.