Quem será a real vítima? Moco
Daqui, do meu sítio, poderei ver muitas coisas. Algumas hei-de lê-las, mesmo que por vezes se não apresentem em letras legíveis. Destas algumas serão relidas e referidas aqui no Vi, li, e reli.
No fim desta semana, acabo de ver e ler o semanário “Agora”. Lá apareço eu, na capa, no meio de seis personalidades: Lúcio Lara, Lopo do Nascimento, França Van-Dunen, João Lourenço e Fernando Miala. Somos todos apresentados como as vítimas do longo consulado (31 anos) de José Eduardo dos Santos. Se não entendesse, depois de ver o conteúdo da referência, dentro do jornal, que afinal apenas se tratava de uma conhecida técnica jornalística para atrair leitores, não teria concordado e diria: vi, li e discordei.
Na verdade se há uma vítima real dentre os mencionados, será ela Fernando Miala, embora ainda não me tenha sido dado a comprovar, como jurista que sou, a forte suspeita de que aquele processo foi de todo em todo injusto (ou simulado, como alguém insinuou?).
É algo repetitivo: para mim abandonar ou ser obrigado a abonar cargos por disputas políticas, mesmo que de forma pouco transparente, nunca será uma tragédia. Cargos políticos, em sistema democrático, não podem ser concebidos como uma forma definitiva de vida.
De resto, a maior vítima de tudo isso é o próprio MPLA, que devido, provavelmente às suas raízes históricas, que precisam de ser estudadas (entre alguns estudiosos, Edmundo Rocha e Mabeko Tali deixam algumas pistas), não consegue ter um líder que consiga conviver com outras figuras que se projectem minimamente no panorama político, mesmo depois da queda do Muro de Berlim.
Mas, provavelmente, este drama só é tamanho para o MPLA, quiçá, para o país, na medida em que se trata do partido mais consistente em relação ao projecto de criação de uma nação moderna em Angola, sem ter de impedir o protagonismo de outras forças políticas e da sociedade civil.
Na verdade, o que é que vemos, lemos e relemos em outros partidos, entre os mais recentes e os chamados partidos tradicionais? A UNITA por pouco não desapareceu por obstinação na ideia do líder único e pensamento único (diriam os outros: one party, one leader and one nation), durante longos anos. E a FNLA? Qual das FNLA’s, que consiga pôr lado a lado várias estrelas a brilhar? Há um relativamente bom exemplo do FPD-BD mas, conseguirá ele brilhar neste amplo mas encrostado panorama político nacional?
Marcolino Moco
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