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URNAS ELEITORAIS SUMIRAM DO LO

URNAS ELEITORAIS SUMIRAM DO

LOCAL TRANSITÓRIO DE CUSTÓDIA

EM 1992

As urnas eleitorais sumiram da sede do Banco Nacional de Angola (BNA), onde estavam custodiadas à noite antes da contagem dos votos, em 1992.

O deputado Carlos Gonçalves, da FNLA, referiu esta insólita ocorrência anteontem na Assembleia Nacional, não tendo sido contestado por nenhuma voz discordante.

O eleito entendia manifestar a sua oposição à pretensão de se dilatar para dois dias o prazo do pleito fixado para 05 de Setembro próximo exclusivamente.

O projecto foi referido pela primeira vez pelo porta-voz do MPLA e deputado Norberto Dos Santos Kwata Kanawa, durante um comício realizado na cidade de Uige,

Kwata Kanawa justificou a pretensão pela vontade de se pôr em prática a recomendação da última sessão do Conselho da República (CR), na óptica do partido governante.

Pelo seu turno, o deputado da FNLA contra-atacou lembrando uma peripécia de 1992 bastante oculta da ribalta hoje em dia.

«Nas eleições de 1992, uma vez realizadas, e depois da contestação da UNITA pedindo a recontagem dos votos, estávamos todos ansiosos à espera porque a promessa tinha sido feita de que as urnas estavam guardadas em lugar seguro, no Banco Nacional de Angola», recordou.

Só que, prosseguiu, «no dia seguinte não se encontraram urnas nenhumas. O que quer dizer que nós ainda não afinamos o mecanismo de segurança eleitoral».

Carlos Gonçalves pediu, a seguir, a retirada do ponto da agenda considerando-o como «extemporâneo» e atentatório aos princípios elementares da democracia.

«A nossa cultura em eleições é ainda muito ténue e carece de muitos cuidados», completou.

Idêntico ponto de vista foi partilhado pelo líder da bancada parlamentar da UNITA, Alcides Sakala.

«Estas propostas de alteração à lei eleitoral deveriam ser feitas depois das eleições de Setembro, incluindo outras que também é necessário rever, já num ambiente mais calmo e fora do clima de pré campanha eleitoral», opinou Sakala.

Para contornar a questão, a bancada do MPLA, pela voz do seu chefe, Bornito de Souza,  prometeu «um figurino intermédio que exige uma intervenção do legislador, dispensando qualquer intervenção normativa posterior do Presidente da República».

Bornito salientou que o seu partido, nem a respectiva bancada defenderam formalmente a duplicação dos dias do sufrágio, atribuindo esta interpretação aos abusos de «alguma imprensa».