A UNITA tem alternativas para
A UNITA tem alternativas para o país, diz Isaías Samakuva
O Presidente da UNITA, Isaías Samakuva, com a primeira ponta de entrada numa abertura formal da campanha Eleitoral da UNITA, no acto realizado na tarde de 5 de Agosto de 2008, no salão da Liga Africana em Luanda.Transcrevemos neste espaço o discurso de abertura da campanha eleitoral da UNITA, sob o Lema “Angolanos Unidos na acção para a mudança". Isaías Samakuva Presidente da UNITA 05/08/08 DE ABERTURA DA CAMPANHA ELEITORAL DA UNITA, ÀS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE SETEMBRO DE 2008 Angolanos e angolanas: Começa hoje a campanha eleitoral, um exercício democrático de cidadania. Na qualidade de Presidente da UNITA, um dos Partidos fundadores da democracia angolana, dirijo-me aos angolanos para falar da grande oportunidade que a democracia nos oferece para mudar o Governo, em 5 de Setembro próximo, e resolvermos assim, os grandes problemas nacionais. Os grandes problemas nacionais são a exclusão social, a pobreza, o desemprego, o sistema de educação e a corrupção. Mais de 68% da população vive em pobreza extrema. A nossa taxa estimada de analfabetismo de 58%, enquanto a média africana é de 38%. Entre 1997 a 2001, Angola consagrou à educação uma média de 4,7% do seu orçamento, enquanto a média consagrada pela SADC foi de 16,7%. Para além dos recursos limitados, estes enfermam também pela iniquidade da sua distribuição: para o litoral, Angola disponibilizou $15 per capita, enquanto para o interior, a cifra foi de $5.00. Esta política discriminatória é resultado da cultura de exclusão. O mesmo sucede na saúde. A malária continua a ser a causa de morte número um, seguida da tuberculose, a desnutrição, a tripanossomíase e a hipertensão. Angola disponibiliza apenas 3 a 6% do seu orçamento para a saúde dos seus cidadãos. Este dinheiro não chega sequer para atender 20% da população, o que torna o Serviço Nacional de Saúde inoperante e presa fácil de interesses particulares. A política habitacional também é um desastre. A justiça está subserviente ao poder executivo e a corrupção está institucionalizada. Ao invés de um Estado de Direito, Angola tornou-se num Estado patrimonialista, mal governado, com um baixo índice de desenvolvimento humano, onde os jornalistas ainda são presos. É verdade que a economia está a crescer, mas está a crescer mal, quer na estrutura da produção interna, quer na distribuição da riqueza nacional: 76% da população vive em 27% do território. Mais de 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; Mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população de cerca de 18 milhões de angolanos. A política económica em curso não garante a integração digna da juventude na sociedade, não lhe assegura o primeiro emprego e não promove o desenvolvimento descentralizado do território. Esta é a radiografia do País real, que vai eleger um novo Governo em 5 de Setembro. O Governo actual, que promove e sustenta este quadro, está no poder há mais de 30 anos! Hoje, o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos Bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos Blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder. Aos demais, concedem-se algumas benesses desde que aceitem negar a sua identidade política ou cultural. Não se tolera a igualdade de oportunidades na distribuição da riqueza. Não se permite que, os que hoje não têm nada, venham a ser também ricos amanhã. Foi exactamente assim que o colonialismo tratou a maioria dos angolanos! E foi por isso que o regime colonial caiu! E quem o fez cair foi o povo. Hoje, o povo quer mudar este quadro através do voto, no dia 5 de Setembro. O País inteiro quer mudar este quadro. Até os que promovem a exclusão social também falam em mudança. Todos querem a mudança. Mas quem é que está melhor qualificado para operar a mudança? São aqueles que não conseguem adaptar-se ao regime democrático, e utilizam o dinheiro de todos para construir uma Angola só para alguns? Ou é o povo que amadureceu a sua consciência política, e agora quer mudar o Governo para juntos construirmos uma Angola para todos? O povo está melhor colocado para operar a mudança porque é o povo que sofre todos os dias. É o povo que não tem casa, não tem emprego, não tem comida. É o povo que sente na carne os efeitos das políticas de exclusão. E este povo sofredor está em todos os Partidos, em todas Províncias. O povo somos todos nós: você, você, eu, ela, todos os angolanos, de todas as religiões, de todas as raças, de todas as línguas. NÓS SOMOS O POVO. NÓS SOMOS A MUDANÇA. O povo quer mudar a maneira de pensar e governar Angola. Quer fazer uma mudança positiva e pacífica, que não procura culpados, porque culpados somos todos, responsáveis somos todos. Uma mudança que pugne pela estabilidade e pela unidade nacional e que respeite o património de todos, incluindo o dos ex-governantes. Uma mudança que traga um Governo melhor, que valorize o interesse colectivo e que sirva o angolano lá onde ele se encontra. Prezados compatriotas: No dia 5 de Setembro, o povo terá a oportunidade de operar a mudança, votando na UNITA. E porquê a UNITA? Porque a UNITA, ela própria, já mudou: deixou de ser uma força militar, e tornou-se a força campeã da democracia participativa em Angola. A UNITA já realizou duas eleições livres e democráticas em dois Congressos. A UNITA pratica a paz e a reconciliação, enquanto outros continuam a praticar a intolerância e a discriminação. A UNITA conquistou, para o povo, o direito de votar e conduziu o processo de discussões políticas de forma a assegurar a materialização desse direito. Portanto, NÓS SOMOS A MUDANÇA! A mudança é a UNITA. Angolanos e angolanas: A injustiça social e a exclusão afectam a todos, até mesmo os militantes e amigos do MPLA. Um estudo recente indica que o regime utiliza cinco métodos para manter toda a sociedade angolana prisioneira dos seus desígnios: (1) a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o ‘cabritismo,” – este método é utilizado para amordaçar os dirigentes, quadros, deputados, governantes e militantes do Partido da situação e não só. (2) A coação e ameaças são utilizadas para silenciar os jornalistas. (3) A violência física e a intolerância política são as formas preferidas para intimidar os militantes e simpatizantes da UNITA e não só. (4) A coação e a instrumentalização são utilizadas contra as autoridades tradicionais e algumas entidades religiosas. (5) A corrupção política e económica é utilizada contra todos. Todos estes métodos vão ser utilizados nos próximos 30 dias. Irão limitar e condicionar as liberdades dos cidadãos. Irão ameaçar os quadros que se manifestarem a favor da mudança. Irão instrumentalizar as autoridades tradicionais. Irão pressionar a Comissão Nacional Eleitoral. Irão censurar o trabalho dos jornalistas. Sejamos cautelosos, mas não tenhamos medo. Porque CHEGOU MESMO a HORA DA MUDANÇA. Apesar de parecer poderoso, com muito dinheiro e muita propaganda, o regime é fraco. É fraco porque não se baseia na vontade do povo e não governa no interesse do povo. Por isso, o Povo vai mudá-lo com uma arma bem simples, uma arma de papel, o voto. Por isso é que as eleições de Setembro são ainda mais importantes do que as eleições de 1992. Em 1992, as eleições visavam acabar com um conflito militar. Agora, em 2008, as eleições visam acabar com a crise social, através da mudança do regime da exclusão e da ilegitimidade política pelo regime democrático, que é o regime da paz. Até os políticos que promovem a exclusão e a corrupção reconhecem que há crise social e é necessário mudar! Mas será que eles podem mesmo mudar? A mudança que o povo quer, é a construção de uma Angola para todos. Uma Angola de todos é um país em que a riqueza do país é distribuída equitativamente por todos, não apenas por alguns. Em que o desenvolvimento abre oportunidades para todos, mas em primeiro lugar para os nossos empresários, para a nossa juventude, para as nossas mulheres, para os nossos trabalhadores. Enfim, para o angolano, em primeiro lugar, para o angolano em segundo lugar; o angolano em terceiro lugar e para o angolano sempre. Uma Angola de todos é aquela em que os funcionários públicos não são obrigados a pertencer a um partido. É aquela em que ninguém precisa pagar a gasosa pelos seus direitos, como a saúde e a educação. Uma Angola de todos não pode ser a Angola de um só partido, onde as imobiliárias pertencem às mesmas pessoas. Os Bancos pertencem às mesmas pessoas! As grandes fazendas pertencem às mesmas pessoas! As grandes empresas pertencem às mesmas pessoas. Sempre os mesmos! É preciso mudar para que Angola seja de todos! E para mudar Angola, é preciso mudar quem governa o país, perdão, quem desgoverna o país há mais de trinta anos. Prezados compatriotas: Este aqui é o programa da mudança. Os analistas reconhecem que é um bom programa. Dizem que muitos gostaram tanto das medidas de política que ele apresenta, que até as copiaram. Bom, mas quem diz isso são os analistas. Se copiaram ou não, não sabemos. O mais importante é que sejam implementadas O povo angolano sairá a ganhar se outras forças políticas se juntarem à UNITA, no próximo Governo, para implementarem de facto, as políticas do nosso Programa. Algumas dessas políticas são: Prioridade orçamental absoluta aos programas de combate à pobreza, que serão orçamentados e cabimentados como programas de “segurança nacional.” Considerar prioridade orçamental absoluta para os próximos dez anos o investimento no capital humano. Isto inclui investimentos sérios na nutrição das crianças e jovens, educação, saúde e na economia primária e secundária, fundamentos estruturantes de uma economia auto-sustentável. O Governo da Mudança terá vários parceiros. Mas o principal parceiro do Governo para desenvolver Angola não serão os investidores nem os Governos estrangeiros. Será a juventude angolana. É com a juventude e para a juventude que o Estado irá garantir a participação dos empreiteiros em programas de urbanização de forma a assegurar “casa para todos” por via de créditos à habitação. É com a juventude e para a juventude que o Estado irá criar mecanismos que permitam aos estudantes o acesso criterioso aos benefícios sócio-económicos (por exemplo cartão de estudante para assistência médica, educação, alimentação e transportes públicos); É com a juventude e para a juventude que o Governo da mudança criará um sistema nacional de emprego e segurança social com mecanismos que garantam o estágio laboral dos formandos qualificados e correspondente subsídio e garantia do provimento do primeiro emprego. Os empregos serão criados principalmente no interior do País, quer no quadro da criação de zonas francas de processamento e exportações, ou zonas de livre comércio, quer no quadro de outros programas de combate à pobreza. Será feita uma mudança profunda do sistema de educação, que inclui a escolaridade obrigatória mínima e gratuita até à 12ª classe para todos os nascidos no século XXI. Será feito um combate sem tréguas à corrupção, mas não haverá caça às bruxas. A UNITA respeita a perenidade do Estado e advoga honrar os seus compromissos legítimos. De igual modo, valoriza as reformas em curso, e advoga prossegui-las, visando transformar Angola, de facto, num Estado Democrático de Direito, que tem como fundamentos a unidade nacional, a dignidade da pessoa humana, o pluralismo de expressão e de organização política, capaz de construir uma sociedade livre, de paz, justiça e progresso social. Prezados compatriotas: Desde 1975, Angola tem sido governada pelo mesmo Partido, pelas mesmas pessoas, pelas mesmas políticas. Em Setembro, será a primeira vez na história de Angola independente, que o poder político passará de um Partido para outro. Passará de um governo habituado a governar para si próprio, para um governo que governa para o povo, num Estado dialogante, que prestará contas ao povo. A vontade do povo será expressa num só dia, nas urnas, mas a execução da mudança será um processo mais lento, um processo pacífico de transferência de responsabilidades entre os antigos e os novos detentores de cargos públicos. Portanto, como já havíamos afirmado meses atrás é preciso assegurar às pessoas, nacionais e estrangeiras, que os angolanos são homens e mulheres de Estado. Precisamos de continuar a assegurar aos homens de negócios, que quando o Governo mudar, a vida vai continuar. Os lucros vão continuar a entrar. É preciso assegurar aos funcionários públicos que, quando o povo votar pela mudança de Governo, os funcionários públicos não serão despedidos. Irão continuar a trabalhar e muitos ainda poderão ser promovidos. É preciso assegurar aos antigos Ministros e dirigentes do Partido-Estado que, quando o Governo mudar, todos eles serão tratados com dignidade e honra. Falharam nas políticas, mas a vida vai continuar. Esta garantia deve ser dada já agora, durante a campanha eleitoral, nos próximos trinta dias. Demonstremos civismo, responsabilidade e tolerância. Respeitemos a democracia, a unidade e a reconciliação nacional. O Governo da Mudança será um governo de todos, com quadros competentes, de todas as raças e de vários Partidos. O importante é que sejam competentes e que defendam a causa do povo, tal como ela se apresenta no “Programa da Mudança.” É por isso que resolvemos convidar personalidades que não são da UNITA para integrar a lista de candidatos da UNITA a deputados. Todos os quadros serão poucos para os desafios do futuro. A UNITA irá buscar os melhores quadros lá onde eles se encontrarem. Formaremos um Governo de unidade e de salvação nacional. Nós vamos, nessa campanha, apresentar propostas concretas para a mudança. A UNITA tem alternativas para o país, tem quadros preparados para a governação e, mais do que isso, dialoga com os melhores quadros do país, independentemente das suas formações partidárias. Porque acreditamos que a Angola de todos não será obra de um só partido. Será obra do diálogo, será obra de todos os angolanos de bem, porque nós, angolanos, nós, eleitores, somos a mudança. Nós, os quadros somos a mudança. Nós, os camponeses, somos a mudança. Nós, as mulheres, somos a mudança. Nós todos somos a mudança! Prezados compatriotas: Convido todos os angolanos a participar activamente neste exercício democrático de cidadania. Quanto mais participarmos, mais forte será a nossa democracia. Quanto mais forte for a nossa democracia, mais forte será a nossa paz, porque é a democracia que sustenta a paz. Vamos fazer dessas eleições um exemplo para a África e para o mundo. Vamos todos respeitar a vontade do povo que será manifestada nas urnas, através do voto livre e secreto. Não podemos permitir que se imite em Angola os maus exemplos do Quénia ou do Zimbabwe. Nem na campanha eleitoral, nem nas interferências ilegais nos trabalhos da Comissão Nacional Eleitoral, que deve ser isenta e íntegra. Vamos mostrar que somos um povo maduro que sabe respeitar os valores da democracia e da soberania popular. Participemos todos com integridade e civismo. Seja como activistas políticos, seja como educadores cívicos, seja como membros das mesas das assembleias de voto, observadores, delegados de lista ou candidatos a deputados, vamos todos votar pela Mudança. Porque chegou a hora da mudança. E Nós Somos a Mudança! Muito obrigado. |
O Presidente da UNITA, Isaías Samakuva, com a primeira ponta de entrada numa abertura formal da campanha Eleitoral da UNITA, no acto realizado na tarde de 5 de Agosto de 2008, no salão da Liga Africana em Luanda.




















