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Lucio Lara está em maus lençois, Marcolino Moco está com as barbas de molho. Abel Chivukuvuku convidado a abandonar o partido...
Aprazado para os próximos dias, o conclave do partido no poder em Angola não vai ter o brilho que era suposto, possível e desejável ter. Há muito descontentamento no seio de muitos intelectuais angolanos e militantes do MPLA. Lúcio Lara está em maus lençois, Marcolino Moco está com as barbas de molho; aliás, já foi chamado a explicar-se na sede do partido de que já foi dirigente. O congresso do MPLA será uma rosa... cheia de espinhos onde a maior parte dos militantes vai entrar mudo e sair calado.
O MPLA decidiu mostrar a um dos seus antigos “ideólogos ” com quantos paus se faz uma canoa quando se sai dos eixos políticos por si pré-determinados ou ouse pensar de forma diferente que a direcção.
A chefia da UNITA “convidou”, verbis gratia, Abel Chivukuvuku a abandonar o partido, caso este pretenda candidatar-se ao cargo de Presidente da República como independente.
Conclusão: Democracia é uma palavra vã no seio do “partido dos camaradas e dos maninhos”.
Tolerância, Liberdade de Expressão e de Pensamento são valores que não fazem (nunca fizeram) parte da sebenta política dos dois maiores partidos de Angola, onde o primeiro só o é, de facto de jure, porque o segundo cauciona - por actos, omissões e palavras - as acções do primeiro.
Isto é tão verdade quanto um Ovimbundo ser presidente do MPLA, um Kimbundo liderar a UNITA ou ainda um Nynaneka-Humbe estar à testa da FNLA.
Artur Pestana (Pepetela) - um dos mais aclamados escritores angolanos - denunciou recentemente em declarações à Emissora Católica de Angola (ECA) em Benguela que Lúcio Lara caiu em desgraça política devido as suas posições manifestadas no seio do MPLA, partido de que é militante desde a primeira hora.
Sem medo de sofrer as represálias do MPLA que alguns (mas quase todos) angolanos, de Cabinda ao Cunene, sentem no corpo e na alma, Pepetela afirmou sem papas na língua que Lúcio Lara foi “asfixiado pelo partido no poder devido as suas posições a favor da existência de tendências” no seio do partido no poder.
A denúncia de Pepetela desempenhou o seu papel enquanto intelectual, que é o de ter o destemor de apontar o dedo às coisas que vão mal no seio de uma sociedade ou ainda de uma pessoa colectiva, no caso o partido no poder em Angola.
A fazer fé nas declarações do “Prémio Camões 1997”, o MPLA arrisca-se a ser comparado com o seu principal rival, a UNITA, no que à existência de democracia, abertura, liberdade de expressão e de pensamento no seu seio diz respeito.
Por este andar da carruagem, Marcolino Moco - proscrito da direcção do MPLA no congresso realizado no longínquo ano de 1998 no Palácio dos Congressos em Luanda - deve colocar as suas barbas de molho devido as posições criticas que tem feito à direcção do partido de que ainda é membro de corpo e alma, apesar de ser (muito) mal interpretado.
Por Jorge Eurico
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