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Prisões do caso BNA estendem-se pelo país

Devem continuar hoje as operações de busca e as detenções de pessoas relacionadas com o caso dos milhões. O Banco Nacional de Angola e o ministério das Finanças foram tidos, numa primeira fase, como as únicas instituições a acolherem pessoas relacionadas com o desvio de milhões de dólares, mas os factos têm mostrado que entre os envolvidos estão militares, polícias e empresários.

Ao que apurou este jornal, as operações de hoje deverão abranger as duas instituições mas no Banco Nacional, ao que parece, estão a acontecer investigações em múltiplas direcções, ou seja, além da procura de indícios e dos envolvidos no desvio de cerca de cem milhões de dólares, num caso em que os supostos criminosos agiram sobretudo no processo de transferências e pagamentos ao exterior, haverá um outro, chamado de caso de “peixe miúdo” envolvendo arquivistas, e trabalhadores do cofre-forte da instituição. Neste caso trata-se de roubo e desvio de milhões de kwanzas.

Nas operações policiais do início da semana, os investigadores terão praticamente encerrado as instalações do BNA à hora do almoço, impedindo a saída e entrada de pessoas. No fim da “visita” de segunda-feira, os agentes levaram consigo diversa documentação e dois detidos. Os alvos principais foram o arquivo e cofre forte, mas há notícias de até os guardas terem sido inquiridos. “Havia uma roubalheira quase geral” disse uma fonte deste jornal. “O mais certo é que venham a acontecer mais detenções nos próximos dias ou horas, principalmente por desvios de kwanzas e por adulteração de operações bancárias, fraude”, rematou a mesma fonte.

Rostos no Jornal de Angola

Na edição de domingo, 1 de Fevereiro, do Jornal de Angola, foram publicados vários rostos de pessoas supostamente envolvidas em crimes de peculato relacionados com o Banco Nacional de Angola e com o ministério das Finanças. Uma fonte deste jornal garante que os mandados de captura emitidos pela Procuradoria-Geral da República contra os cidadãos Francisco Gomes Mangumbala, Sérgio Miguel Joaquim; José Augusto Manuel, Raul António Eduardo Francisco e Francisco Nhanga Meio de Carvalho estão mais relacionados com o caso do “peixe miúdo”. Cita para ilustrar o facto de Francisco Mangumbala ter sido arquivista do Departamento de Gestão de Reservas do BNA. A mesma fonte diz que os rostos publicados são de pessoas que dificilmente teriam acesso às operações com o estrangeiro e ao sistema informático, lembrando que há pessoas detidas que trabalharam nestas áreas.

Outros nomes

O Procurador-Geral da República, João Maria de Sousa, em declarações a Rádio Nacional de Angola, disse nesta quarta-feira que em breve serão tornados públicos os nomes dos detidos por envolvimento no caso dos milhões do BNA. No entanto, foi adiantando que as investigações levaram já à detenção de mais de uma dezena de pessoas e que julga que os envolvidos poderão ultrapassar os vinte elementos. Mais adiante o PGR disse que além das detenções têm sido confiscados diversos bens, de entre os quais, automóveis e habitações, além do dinheiro roubado.

Tentáculos na Huila

Nesta segunda-feira, 1 de Janeiro, foram feitas três detenções na cidade do Lubango relacionadas com o caso dos milhões do BNA. Em Luanda, uma outra pessoa, um funcionário de um banco, residente no Cazenga, foi detido e foram-lhe confiscados os automóveis e a casa. Trata-se de um jovem formado no estrangeiro e que de há dois anos para cá vinha evidenciando, segundo os vizinhos, sinais claros de riqueza, aparecendo ao volante de diversos carros de grande cilindrada e pagando, inclusive, um casamento de um parente.

Está igualmente detido um homem de confiança de um antigo ministro.

Diz-se tratar-se do “ponta de lança”, o homem que era encarregue de efectuar as compras no estrangeiro, os contratos para a aquisição de automóveis e de diversos bens para o ministério.

O PAÍS sabe que alguns dos detidos têm adoptado uma postura muito colaborante com as autoridades, o que tem permitido uma aceleração das investigações, o mesmo é dizer que os detidos têm denunciado os outros membros da rede e seus colaboradores. Terá sido assim que foi preso um indivíduo com um apelido pouco comum, Safardão, cujo nome será divulgado por este jornal numa das próximas edições conjuntamente com outros, quando a decisão editorial estiver convencida de que os interesses de edição não colidem com os interesses públicos da salvaguarda do segredo de justiça.

Neste momento, uma das preocupações das autoridades é a de não permitir a fuga de indivíduos eventualmente envolvidos na rede dos milhões, pelo que foi incrementada a vigilância nas fronteiras e estão a ser seguidas algumas pessoas alvos de investigação. Por outro lado, uma fonte disse que este caso poderá levar a que as autoridade emitam mandados internacionais de captura, quer para cidadãos angolanos, quer para cidadãos estrangeiros envolvidos.

José kaliengue

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Dernière mise à jour de cette page le 06/04/2010

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